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26 de agosto de 2015

Metamorfoses emocionais

Desacelerando. The Fray tocando ao fundo, tão baixinho que o som da chuva lá fora quase se sobrepõe à música. Vocês já estão sentindo a névoa dissipar-se, caríssimos sentimentos conflitantes? Espero que sim.
Estou me perdendo em busca de encontrá-los. Mas não assustem-se, por favor. Não os procuro com a intenção de destruí-los, vocês lembram-se de uma única vez que eu os tenha maltratado, por acaso? Já eu, não posso afirmar o mesmo.
Mas tudo bem, também não estou aqui para tirar quaisquer satisfações ou culpá-los, eu juro. Venho até este informar que estou em missão de paz. Quero conviver amigavelmente com vocês, se me permitem. Porém, para que isso aconteça, primeiramente preciso de suas contribuições adquirindo qualquer forma, mesmo que metafórica, que me permita reconhecê-los e respeitá-los como merecem.
Então, coragem! Saiam de suas inconsciências e assumam os lugares que em meu coração a vocês destina-se. Não tenham medo. Estou disposta a senti-los em toda a sua extensão.

25 de julho de 2015

Ao pássaro que mora em meu coração

Em um de seus mais célebres poemas, Bukowski atribui a um pássaro, o pássaro em seu peito que quer sair e não é autorizado a fazê-lo, a cor azul. Mas diferentemente de Bukowski, deixo o meu pássaro livre para sair quando assim ele desejar. Mesmo que nossas vontades, de sair e permanecer, nem sempre correspondam entre si.
Minha atitude pode não ser tão esperta quanto à do escritor. O pássaro pode sim me arruinar, ainda mais usufruindo de tamanha liberdade, mas prefiro confiar que ele não o fará. E quando chega o momento de meu pássaro, que não é azul, aconchegar-se novamente em seu lar, ele também se permite entristecer. E seu canto, outrora tão alegre, exprime o quão vivo encontra-se.
Sua cor? Arrisco dizer que possivelmente tons alaranjados. Talvez da mesma tonalidade que o sol ao amanhecer. Talvez o pássaro que em mim vive e comigo tem convivido seja originário do próprio sol. Isso explicaria porque minha alma se sente tão bem quando exposta ao sol. O pássaro que em meu corpo vive se sente novamente em casa. E eu não permitirei que ele deixe de cantar, por mais doloroso que isso às vezes seja.


20 de julho de 2015

Os atos cotidianos de amizade

Nunca consegui entender essas datas específicas que são costumeiramente intituladas comemorativas. E esta é mais uma delas: o dia do amigo. Mas o que pode existir de especial em um dia aparentemente comum (como a maioria dos dias nos parece) apenas por alguém o ter definido desta maneira?
Amigo é quem compartilha momentos? Com quem se divide laços afetivos? Mas então, qual a denominação adequada a quem não tem esta proximidade que o permitiria ser caracterizado como “amigo”, mas que ao mesmo tempo possui, ou possuiu em algum momento, valor inestimável na constituição de quem somos?
Em uma pesquisa rápida por páginas aleatórias da internet, encontra-se a palavra amigo como sendo um indivíduo que mantemos um relacionamento de afeto, a quem respeitamos e estamos sempre prontos a ajudar, mas não como um dever, e sim, como pura e simples lealdade.  
Mas estes atos não deveriam ser naturais e genuínos para com todos os seres humanos, independente de serem compreendidos como “amigos”? Parece que não.
A amizade, assim como o amor e demais sentimentos que expressam o que de bom ainda existe na humanidade e no convívio diário, devem ser exatamente isso: atos cotidianos, intrínsecos às relações, sejam elas quais forem.
Amizades são atos de gentileza, são relações que não exigem, mas convidam a uma reciprocidade. Amizade é você estar tão bem consigo mesmo, que o carinho não lhe cabe no peito e espalha-se entre as pessoas próximas.
Eu mesma possuo pessoas que nem imaginam a contribuição que exerceram em minha vida, talvez não saibam nem mesmo que em minhas lembranças permaneçam como amigas, mas elas estão lá. Nenhuma relação humana precisa necessariamente perdurar pela vida inteira para que possa ser considerada importante. Uma pessoa pode tornar-se especial apenas por você criar diálogos que talvez nunca ocorram, mas que só de imaginar já te confortam. 

24 de junho de 2015

Subsistência

Eu não quero me entender. Porque ao supostamente me entender, fica subentendido que eu devo interferir. E eu não quero interferir. Eu quero sentir as coisas em sua totalidade, sabe? Eu quero ser realmente feliz, sim, é claro que eu quero, assim como o restante da galáxia também quer. Mas apesar de não querer, não no sentido de almejar, seria masoquismo demais, mas eu realmente não me importo de sofrer um pouco às vezes. Ok, admito. No momento em que estou sofrendo não queria estar em tal situação. Mas agora, visualizando assim de fora, daqui da onde o ar é rarefeito, na indiferença, eu até prefiro ter aquela angústia, aquela dor lá no fundo do peito, que não é fome. É relativamente fácil adquirir autoconhecimento suficiente pra entender os próprios motivos de crise ou de felicidade extrema. Mas nenhum conhecimento do mundo provavelmente irá justificar a indiferença. É um estado neutro, sem graça. Parece que não pode existir vida neste local. E talvez nem exista mesmo. É só esse estado de transição pelo qual a existência passa, às vezes detém-se um pouco, mas logo segue pra algum dos extremos no qual a vida existe e subsiste. 

10 de junho de 2015

De quando somos devolvidos a nós mesmos

Você trouxe de volta para minha vida o acaso que tinha temporariamente me deixado nesta monotonia que é a vida planejada, mesmo que imprevisível. Você me proporcionou novamente esta esperança no amor, não por senti-lo de forma propriamente dita, mas sim, percebê-lo como algo possível e real.
Somos tão semelhantes em nossas dificuldades. Por motivos distintos, mas talvez sejamos ambos vítimas desta sociedade individualista, que não importa-se com nenhuma outra consciência que esteja a sofrer, além de si mesma.
Mas não podemos culpá-las: provavelmente, estão apenas repassando sentimentos por elas anteriormente sofridos. Talvez caiba a pessoas como nós acabar com este problema, recusando-se a machucar o outro, exatamente por um dia também ter sido machucado e saber o quanto dói, não desejando o mesmo para ninguém.
Sei que isso pode te assustar, mas fica tranquilo, este não é um texto sobre amor e nem tem a pretensão de ser. Até porque não tenho autoridade alguma para escrever sobre algo que nem mesmo conheço. É apenas um texto para eternizar estes sentimentos bons provocados por você.

23 de maio de 2015

Serenidade

Não é êxtase. É equilíbrio. É maturidade. É quietude, mas não entendida como conformidade. É sentir estar no caminho correto, ou na estrada que leva diretamente até ele. Mas mesmo assim, não aceitar seguir pelo caminho mais fácil, já percorrido inúmeras vezes.
É traçar metas, objetivos, pontos de chegada e de partida e estar ciente de que tudo dependerá diretamente de sua caminhada. Ou corrida. De sua velocidade, mas principalmente, de sua paciência, em especial nos momentos íngremes. Afinal, quando transpostos eles te elevarão em sua existência, em suas próprias aparentes limitações.
Mas quando chegar lá no alto, se seus pulos de comemoração forem intensos demais, você vai escorregar. E então voltará a etapa inicial. Isso se repetirá continuamente, quantas vezes forem necessárias para que aprenda que mais importante que estar feliz, é saber lidar harmoniosa e delicadamente com esta felicidade. (Que inclusive assusta-se com grandes agitações e vai embora)

6 de maio de 2015

Vocês não estão vendo a lua?

Por favor, desviem seus olhares de qualquer objeto tecnológico luminoso que possa estar a sua frente, encobrindo sua visão para o que realmente tem importância fora da tela, e olhem para o céu lá fora. Pode ser até pela janela, se considerar que o vidro impedirá este contato direto com o mundo real que parece causar tanto medo. 
Mas observem, admirem, sonhem, façam seus pedidos, ou ao menos a desprezem, se tiverem coragem para tanto. Eu só lhes peço, por favor, olhem para esta lua que nesse momento apresenta-se cheia lá no céu e sintam alguma coisa, expressem alguma reação, seja ela qual for! Só não ajam como se ela não estivesse ali.

30 de abril de 2015

Resiliência

Tem alguma coisa mais certa que o normal acontecendo comigo: voltei a cantar Legião Urbana mentalmente. Já posso até mesmo falar tranquilamente sobre o que em outras épocas me foi tão prejudicial. 
Tenho aos poucos adquirido essa força, sabe? Essa que depende mais de nossos próprios confrontos consigo mesmos e menos de fatores externos, que só vão adquirir significado quando assim os permitirmos.

*Resiliência: combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades sem entrar em surto psicológico.

9 de abril de 2015

Humanamente imperfeitos

Somos números. Perdemos nomes, rostos, identidades. Somos apenas representações ocupando espaço, não sabemos o que fazer com nossos corpos, não há lugar para eles, e por isso mesmo nos permitimos os rótulos que não nos diferem. Somos contas que deram errado, não queremos a diferenciação, pois ela implica consequências. Nossas assimetrias demonstram o quão imperfeitos e humanos somos, ou deveríamos ser. Queremos nos camuflar em um meio social que está fadado a rotina, a monotonia, ao fracasso. 
É uma pena eu não gostar de números. E ser adepta a ironia.

3 de abril de 2015

O nobre morador do feixe de luz e seus sábios conselhos

     Morador do feixe de luz: Me fale sobre a sua amiga borboleta.
Encantadora de borboletas: Não tive mais notícias dela... Ela ficou lá, sozinha...
                                        Tão triste perder amizades dessa maneira.
    Morador do feixe de luz: Tem que aprender a capturar as borboletas na hora certa.
                                         De nada serve a beleza de uma borboleta se não há ninguém para                                                                contemplar.
Encantadora de borboletas: Mas eu estava contemplando, juro. 
     Morador do feixe de luz: Contemplar do lado errado do vidro de nada serve.
Encantadora de borboletas: Serve sim... Estávamos as duas em meio a nossas individualidades...
     Morador do feixe de luz: Mas se tu estavas do lado errado, como saber se ela contemplou a tua                                                        beleza?
                                         Talvez o vidro tenha abafado os dizeres dela...
Encantadora de borboletas: Mas naquele momento em que nossos "olhares" cruzaram-se, nossas                                                          vidas também foram diretamente afetadas.
     Morador do feixe de luz: Tu diz isso pra mim, agora.
                                         Mas disse isso pra borboleta antes de ela ir embora?
Encantadora de borboletas: Claro que eu disse, por acaso eu tenho cara de quem não conversa                                                              educadamente com borboletas?
     Morador do feixe de luz: De maneira alguma iria insinuar algo desta forma, minha cara                                                                        encantadora de borboletas.
                                         Só digo que é importante estar do lado certo do vidro. Não correr riscos                                                        do vidro abafar ou distorcer dizeres tão belos.
Encantadora de borboletas: É fácil dizer isso... Mas um contato mais próximo dependeria dela voar                                                          para o lado de dentro, ou eu escalar a janela pelo lado de fora.
                                         Então acredito que não cabia a mim uma atitude.
     Morador do feixe de luz: Ou, simplesmente, de abrir a janela e convidá-la para adentrar o recinto.
                                         Não creia tu de que as borboletas não sejam seres inteligentes.
                                         É uma espécime tão sábia quanto é bela.
Encantadora de borboletas: A janela já estava aberta, porém ela não se sentiu muito confortável em                                                        entrar, acho.
                                         E quem sou eu pra mandar em um ser tão inteligente!
     Morador do feixe de luz: Mas... Se estava aberta, como então poderia haver um vidro? E, ainda                                                          mais, um lado errado?
                                         Sabes bem em compreender que não pode mandar nas borboletas.
                                         Mas podes, com toda a doçura, convencer de que o lado certo é o lado                                                        onde ela deve repousar.
Encantadora de borboletas: Vai explicar isso pras borboletas de hoje em dia... Teimosas.
     Morador do feixe de luz: Talvez tu precises observar os rouxinóis.
                                         Dizem que eles entregam do próprio sangue para transformar uma rosa                                                        branca em vermelha.
Encantadora de borboletas: Estou precisando conhecer esses aí.
     Morador do feixe de luz: Procure pelos contos do Oscar Wilde.
                                         O final da história do rouxinol é triste, mas...
                                         Quem sabe... Quem sabe, podemos reescrever para um final melhor?
Encantadora de borboletas: Procurarei sim... Sempre podemos!
     Morador do feixe de luz: Bom saber da sua tão nobre disposição!
                                         Sempre que quiser compartilhar dos meus sábios conselhos, podes me                                                        encontrar aqui, no feixe de luz próximo ao fim do mundo.

*Participação especial de um nobre morador de um feixe de luz tão tão distante.

22 de março de 2015

A borboleta do outro lado da janela

Será que existe coisa pior que esta? Refiro-me a inspiração ali, parada, exatamente ao meu lado, só esperando por ser escrita. Enquanto a aqui dita escritora, permanece alheia a vontade de outra criatura que não a si própria e a seus pensamentos, infelizmente nada tendo a ver com as palavras soltas, expostas na transparência do vidro. Mas sinto em lhe dizer que a culpa também foi sua, querida amiga borboleta. Você estava tão perto, mas ainda assim inacessível, escolhendo para seu repouso o lado “errado” da janela: o lado de fora. Estando, portanto, inalcançável mesmo com tanta proximidade.
Fico te devendo essa. Conto com sua colaboração na próxima.

15 de março de 2015

Reflexões... Desta vez sobre uma porta

Mas afinal, o que pode haver de reflexivo em um objeto concreto, morto, estático, que nem mesmo “existe”? (Ou seja, não é capaz de perguntar-se sobre sua própria existência, filosoficamente falando).
Pois onde há pessoas, há interação (até mesmo com uma porta) e, consequentemente, há reflexão. 
Então, imaginemos a seguinte situação: a porta estava aberta, até que uma corrente de vento a fecha, involuntariamente. A partir de então, todas as pessoas que chegarem e por ela passarem para entrar nesta sala, onde em breve começará a minha aula (e a de mais sessenta e quatro pessoas), fecha a porta, deixando-a da maneira que encontrou ao chegar. Isso sem nunca imaginar que minutos antes ela estava aberta e um pequeno acontecimento, ao acaso, foi capaz de mudar toda uma sequência de fatos.

7 de março de 2015

Antropologiando

Um cachorro aparentemente perdido, apesar de estar bem cuidado e com coleira, indicando que sua casa ou donos não devem estar tão distantes. Sexta-feira, final da primeira longa semana de aula na faculdade após as férias. Das impressões adquiridas, observadas e assimiladas acerca da situação e ambientes rotineiros.
Das pessoas que passam pelo cachorro, grande parte interroga: Outro? Vamos abrir medicina veterinária aqui!? Outra transeunte pronuncia frases ininteligíveis, típicas de conversação com bebês e animais domésticos. Em um banco próximo um rapaz fuma, comenta sobre o quanto o cachorro está limpo (deve ser a mim que ele dirige sua fala, sou a única que está ali e com o cachorro é pouco provável que ele puxe assunto, muito menos elogiando sua higiene). Estou interagindo com meu objeto de estudo.  O homem sai e volta acompanhado de uma senhora um pouco debilitada, que ele prontamente ajuda a sentar-se, fuma outro cigarro, discute sobre a vida e o quão difícil é conviver com uma pessoa. Até que minha colega chega e proclama: Juliana, da tchau pro cachorro, estamos indo embora.

10 de fevereiro de 2015

5 de fevereiro de 2015

Sei lá... A vida é uma grande ilusão

Quando foi que fiquei tão velha? E não uso esta palavra no sentido pejorativo, como é popularmente usada. É algo positivo ficar velha, mas quando foi exatamente que isto aconteceu e tornou-me esta criatura que tenho vivenciado no meu mais profundo ser? Que pouco ou nada contenta-se com as coisas mundanas, querendo sempre esse algo mais que a vida tem a oferecer, mas ainda não sabendo devidamente o que fazer com algo mais além de tudo que contém em si mesma. São tantas as coisas com que precisa lidar, mas tudo parece não necessitar de sua interferência. Ficar velho é assumir que a vida sempre tem razão.

20 de janeiro de 2015

As comemorações diárias

Faço aniversário apenas uma vez por ano. – Você também? Que coincidência! – Sempre foi quase que uma tradição que eu escrevesse um texto sobre esta data aqui no blog, mas nunca ficou estipulado em lugar nenhum que este texto deveria ser escrito no dia exato de quinze de janeiro. Então porque não escrevê-lo dias depois? Assim é possível intensificar a comemoração, tornando um aniversário não uma data única no ano, mas quantas forem desejadas.
De acordo com este pensamento, poderei escrever textos referindo-me a um mesmo aniversário todos os meses, sem que pra isso eu deva ficar um ano mais velha a cada novo mês. Parece a solução perfeita para quem prefere a expectativa à realização do fato.
Afinal, a cada ano comemoramos nossas novas experiências, nossa sabedoria, ou se não for o caso, no mínimo nossos aprendizados, mas esses são bens que vamos adquirindo e aprendendo a administrá-los ao longo da vida, que por sua vez, é construída ao longo dos dias. Que outra coisa isto pode significar a não ser que todos os dias devem ser comemorados?

16 de dezembro de 2014

A calmaria plena

Parece tão fácil falar de felicidade... Entre seus muitos significados complexos, a felicidade resume-se (se é que se pode resumi-la) em tudo aquilo capaz de nos proporcionar momentos que se eternizarão em nossa memória e em nosso coração. A felicidade não deve ser entendida como o êxtase, e sim como a calma que nos torna mais conscientes e acolhedores ao universo do qual fazemos parte e que está constantemente se manifestando em suas mais variadas formas de vida.

Mas o que realmente consome todas as forças que acreditamos ter, e que nos abala de tal forma que optamos por evitar até proferir a palavra é a tristeza, é a indiferença. A felicidade é a meta impregnada em todos os padrões e em nossas buscas: quando tivermos um emprego seremos felizes, ou quando nos formarmos, ou casarmos, ou realizarmos todos os nossos sonhos... E assim a felicidade é adiada dia após dia, enquanto a vida continua prosseguindo, independente dos sentimentos correspondentes a ela.

Deve ser até um pecado isso de estar triste em dias tão bonitos. Parece que qualquer ser ou força sobrenatural em que você deposite suas crenças estão dando o máximo de si para proporcionar um dia agradável, um dia claro, um dia para viver. E você aí, remoendo tudo de ruim que pode existir em seu interior. E enquanto isso o sol está lá, brilhando com todas as forças possíveis.

Este texto é escrito no escuro (literalmente) de uma noite insone, amanhã o resultado que verei não será o desejado – as palavras serão incompreensíveis, as frases não possuirão sentido algum – mas mesmo assim escrevo. Talvez a vida de alguém dependa disso. Ou a minha própria vida.

3 de dezembro de 2014

Divagações sobre uma ponte

No início não parece tão difícil: a superfície é mais estável do que você acreditava ser, então segue adiante, sem nem olhar para trás. Mas é nos primeiros passos que a ponte desestabiliza e começa a balançar. Lá embaixo, o rio, cheio de pedras e correnteza. Você não pode distrair-se, pode ser fatal. Não pode dar passos em falso, assim como não pode andar tão rápido, pois isso deixa a superfície ainda mais inconstante. Mas ao mesmo tempo, se for devagar demais, fará com que o percurso pareça ainda maior.
É preciso haver um equilíbrio, mesmo que a situação inspire o contrário. Não olhar para baixo, mas sempre em frente, onde tudo causa a falsa impressão de estar firme, em segurança.
Você chega exatamente ao meio do caminho, não encontra nenhuma pedra, como poderia supor Carlos Drummond de Andrade. Você pode seguir em frente, mas o medo insiste em permanecer. Então você continua com medo mesmo, até que a inconstância da ponte supere a da sua própria mente.

7 de outubro de 2014

Passarinho voando longe, parece borboleta que fugiu de casa...

Você quer voar, literal e figurativamente. Ganhar asas, altura e manter-se no ar dependendo apenas de sua autoconfiança. Ganhar o mundo pela força, mas não a força física, essa é facilmente adquirida. Carregar o mundo como se ele fosse uma extensão de suas próprias asas. Suas incríveis asas, mas que além do embelezamento ainda não adquiriram funções determinadas, afinal, alçar voo talvez o mantenha distante de si mesmo, distante do previsível mundo criado por você. 
Não nos avisaram as diferenças existentes do mundo quando visto de dentro de um casulo, ou quando é visto em sua imensidão, de lá do céu. Por que depois de ganharmos asas, essa será nossa eterna visão do mundo: como esse pontinho insignificante que somos, em uma galáxia tão imensa e desconhecida, onde em algum lugar do horizonte, o bater de asas de uma singela borboleta talvez possa mesmo influenciar o curso natural das coisas e provocar um tufão do outro lado do mundo. Ou talvez o “curso natural das coisas” seja somente uma criação subjetiva e o bater de asas desta borboleta mude apenas a sua própria consciência, em relação ao restante do mundo existente fora de seu casulo, em nada modificando as vidas que permanecem dentro dele, em sua individualidade.

“É mais corajoso quem não tem medo de voar pelo mundo ou quem aguenta ficar dentro de si?” 
Tati Bernardi.