12 de outubro de 2015

O dia que não nos pertence

Dia das crianças. O dia em que comemoramos as buscas incansáveis realizadas por nós, “adultos”, na tentativa de manter viva essa essência, esse espírito infantil que nos parece tão fundamental.
Técnicas estas que não tem surtido efeito algum, em vista que ainda nos causa tamanho espanto e encantamento ver uma criança rolando na grama. Que tolos somos nós, subestimando um ato tão revolucionário!
Ao invés de absorvermos toda essa inteligência inocente presente nas crianças, a verdade é que as contagiamos com nossas ignorâncias, nossos pré-conceitos. Exemplo: todos nós nascemos sabendo dançar e cantar. E se alguém ousa não acreditar no que aqui digo, é simples, observe uma criança protagonizando seus shows particulares e suas coreografias ensaiadas no meio da sala. As crianças sabem o que estão fazendo, e mais, tem a segurança de serem perfeitas em seus gestos.
Perfeição esta que é perdida ao longo dos anos, até chegar ao mundo adulto. Que é, provavelmente, o mundo mais sem graça já descoberto, onde ninguém dança e ninguém canta, sob o argumento de que não sabem e nem possuem o tempo necessário a desperdiçar “tentando” aprender! Acho que deu pra entender o quão contraditório isso é. Por isso, não ensinem as crianças sob a suposição de que necessitam aprender a dançar ou a cantar, para só então assim o fazê-lo!
Queremos acreditar que somos dignos de comemorar um dia que não é, nem nunca mais será nosso. Somos adultos, querendo ou não, aceitando o fato e agindo como tais ou não. Mas é que às vezes, inevitavelmente, dá um medo do escuro.