5 de novembro de 2017

EREFIL - Região Sul, 2017.

No texto que se segue, tratarei sobre o EREFIL (Encontro Regional dos Estudantes de Filosofia), o evento mais amor que já tive a honra de participar:

 “Passei os três dias do evento viajando - literal e figurativamente. Aquele lugar possuía uma vibe que eu nunca senti antes em minha vida. Ou melhor, o lugar não, o que proporcionava aquela energia eram mesmo as pessoas. 
Os dias que antecederam a ida ao evento foram corridos e estressantes: quando tudo parecia estar certo, novos impedimentos apareciam. Tanto que fiquei o caminho todo esperando por novos problemas no trajeto, sendo que o fim do mundo em forma de chuva que caia não ajudava em nada a melhorar essa sensação. 
Mas então, contra todos os possíveis empecilhos, chegamos à escola Érico Veríssimo em Erechim, a nossa "casa" pelos próximos dias. 
O sentimento inicial foi de completo estranhamento. Ainda havia poucas pessoas no ambiente e as que lá estavam, participavam de uma oficina de meditação. Fomos recepcionados e acompanhados primeiramente ao credenciamento, e depois a sala onde residiríamos. Duas das salas que nos foram oferecidas já estavam cheias, então acabamos optando por uma terceira, em que fomos os primeiros a chegar. Mas o estranhamento permanecia, e o pensamento de: "meu deus, onde fui me meter?, agora que estou aqui, terei que passar os próximos três dias nesse local, a 300km de casa e com esse pessoal que mal conheço", tudo isso incluindo os colegas que estavam junto comigo, os quais até então nunca havia tido muita proximidade.
Na verdade não sei ao certo em que momento aquilo tudo passou a ser considerado “casa” e por que não, até uma "família" (cá entre nós, a mais louca família). Talvez tenha sido no primeiro dia do evento, à tarde, deitados na grama do pátio da UFFS, sob o sol e aquela vista linda do lago, com uma ótima trilha sonora. Ou talvez tenha sido no mesmo período do dia seguinte, só que em oposição ao primeiro, com a chuva que caía.
Talvez tudo se deva às viagens de ida e volta até a universidade, com aquela galera alto astral, que era capaz de tirar músicas em qualquer lugar de qualquer coisa possível de ser batucada. Quanta gente talentosa em um único lugar! Quantas referências musicais, literárias, humanas, (...) que levarei depois desse evento.
Ênfase também para o sarau. Gente, o que foi aquele sarau? Aquilo tudo renovou minhas energias de tal forma que até agora é difícil dissipar aquela sensação e voltar para a realidade.
Claro, não esquecendo também das conversas até altas horas da madrugada e porque não, até do galo. Saímos da colônia e a colônia não sai da gente. E a festa... Bem, a galera soube fazer uma festa digna de ficar para a história.
Enfim, precisava registrar parte desses momentos, que em sua totalidade, constituíram a experiência mais incrível da minha vida (e tenho certeza que de tantas outras).
Sou extremamente grata a todos que tornaram isso possível. 
Agora partiu fazer memes, que tenho muito material.”

EREFIL – Região Sul, 2017. Ocorrido nos dias 12, 13 e 14/10, em Erechim – RS.

20 de maio de 2017

Depois do fim

Para muitos, o fim de qualquer festa é simbolizado pelo momento em que a banda que está tocando encerra seu show, que as cortinas se fecham. (Se houverem cortinas a ser fechadas.)
Pois eu vós digo, caríssimos amigos: este não é o fim.
Há muitos bastidores por trás de qualquer show, festa, apresentação. Há muito que fazer também quando “ninguém está vendo”.
Mas você só percebe estas coisas, se permanecer além daquele tempo costumeiro onde todos já estão indo embora. Porque o pós-show é sempre a melhor parte.
É aquele momento que as luzes já não piscam desenfreadamente, até a música parece já estar perdendo as forças e diminuindo sua intensidade, seu volume, seu ritmo. É o momento em que você pode conversar com os que ali ainda restarem sem que seja preciso gritar.
Se o show tiver sido de alguma banda mais local e você tiver um pouco de sorte, pode até compartilhar uma cerveja com os músicos. Então verá toda a humanidade que há neles, conhecerá um pouco de seus sonhos, que geralmente não consistem em turnês mundiais, nem ambições inatingíveis.
É no pós-show também que você verá as pessoas, sejam funcionários do local, gente da produção da banda, ou muitas vezes os próprios integrantes dela, recolhendo seus instrumentos que permaneceram no palco, e que você, que saiu antes do pós-show, deve pensar que se teletransportam com a força do pensamento. Os caras são músicos, não telepatas.
Há ainda outro grupo de pessoas que organiza o ambiente, então o lixo é recolhido, o chão é varrido. E a cerveja continua sendo bebida. E os sonhos continuam sendo sonhados, enquanto a conversa continua a fluir.

9 de maio de 2017

Carta de amor a mim mesma

O amor é algo complicado, né? Você confia, se entrega e nunca é suficiente.
Sinceramente? Agradeça por isso. Na medida em que você se contrai ou se expande para caber em espaços que não são adequados para o seu tamanho, você estará se dispondo a mudar sua forma original. Se você não tem sido suficiente, agradeça, há uma grande possibilidade de que sua forma original esteja íntegra. Conserve-a assim. E mais do que isso: ame-a. Com todas as suas forças, com todo o seu ser.
Os espaços, quando muito pequenos ou muito grandes, não devem ser ocupados à força. Dedique-se a preencher o seu: pinte as paredes, redecore a mobília, espalhe flores, o que preferir. O indispensável mesmo é mantê-lo limpo e longe de migalhas.
Porque entre amar o que desejamos e não temos, como o era o amor Platônico, ou amar somente o que temos, como considerava Aristóteles referindo-se ao amor, prefiro amar quem sou.

9 de março de 2017

Não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si

Com o tempo - e com a vida, e com a maturidade - você aprende que o amor é sobre ver a outra pessoa feliz, mesmo longe. É sobre a deixar continuar a vida, seja ao seu lado ou não, mesmo que a dor pareça te consumir em certas noites solitárias.
O amor é um sentimento altruísta, não há espaço para o "eu" nele. O amor é composto de "nós" (como primeira pessoa do plural, mesmo que em nossa pluralidade sejam necessárias duas pessoas), - e nós - e do quanto você é capaz de desejar sentimentos positivos para o outro independente das circunstâncias. Independente das mágoas, do caminho que ele escolheu seguir. Independente do cabelo que ele escolheu afagar e do abraço que ele escolheu repousar quando nada parece fazer sentido.
Ainda assim, ou talvez exatamente por estes e outros motivos, somos indivíduos dignos de empatia e respeito. Apenas faça por merecer cada umas destas palavras.