24 de junho de 2015

Subsistência

Eu não quero me entender. Porque ao supostamente me entender, fica subentendido que eu devo interferir. E eu não quero interferir. Eu quero sentir as coisas em sua totalidade, sabe? Eu quero ser realmente feliz, sim, é claro que eu quero, assim como o restante da galáxia também quer. Mas apesar de não querer, não no sentido de almejar, seria masoquismo demais, mas eu realmente não me importo de sofrer um pouco às vezes. Ok, admito. No momento em que estou sofrendo não queria estar em tal situação. Mas agora, visualizando assim de fora, daqui da onde o ar é rarefeito, na indiferença, eu até prefiro ter aquela angústia, aquela dor lá no fundo do peito, que não é fome. É relativamente fácil adquirir autoconhecimento suficiente pra entender os próprios motivos de crise ou de felicidade extrema. Mas nenhum conhecimento do mundo provavelmente irá justificar a indiferença. É um estado neutro, sem graça. Parece que não pode existir vida neste local. E talvez nem exista mesmo. É só esse estado de transição pelo qual a existência passa, às vezes detém-se um pouco, mas logo segue pra algum dos extremos no qual a vida existe e subsiste. 

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