14 de janeiro de 2012

Eu tinha quase dezesseis...


Não costumo me apegar ao passado, ele sempre acaba machucando, de uma forma ou de outra. Se não machuca pelas memórias ruins, causa igualmente dor pelas memórias boas. O motivo, simplesmente por serem apenas lembranças, que não voltam mais, e que nunca tornarão a se repetir. Mas em dezesseis anos nostalgicamente vividos, às vezes é preciso permitir-se recordar.
A verdade é que a capacidade de nos lembrarmos das coisas é realmente incrível. Muitas vezes não lembramos fatos ocorridos na semana passada, mas lembramos exatamente de rostos e momentos que marcaram nossa infância, e essas são as lembranças que tornam-se parte de nós, e dificilmente serão esquecidas.
As pessoas que fazem parte de nossas recordações mais antigas, o quanto estavam querendo sempre nos mimar e com alguns sorrisos nos tornávamos o centro das atenções. Brincar até cansarmos, sem a responsabilidade que agora é indispensável, atitudes que não eram julgadas, éramos apenas crianças, e não entendíamos o valor das palavras, e o que elas podiam causar.
As “pessoas grandes” eram vistas como seres inatingíveis, embora na época nem soubéssemos o significado dessa palavra, e parecia que demoraríamos séculos para chegar à idade em que estavam. Os livros e cadernos antes usados para desenhar e rabiscar adquiriram novas funções. As palavras sinceras que eram ditas, agora na maioria das vezes não passam de mentiras. Os joelhos machucados viraram corações partidos. Os anos que antes eram mostrados e contados nos dedos, agora não caberiam nem que tivéssemos três mãos.
E ainda assim não víamos à hora de crescer e nos tornarmos adultos.

“...ninguém me compreendia, e eu não compreendia ninguém.” Nenhum de Nós.

Acredito que esse seja o texto mais pessoal, dramático e longo já escrito por mim e postado aqui no blog. E o mais difícil também. Há um bom tempo que escrevo sobre as outras pessoas: seus erros, acertos, atitudes, manias, defeitos. E posso dizer que isso passou a ser fácil pra mim, mas quando o assunto escrito é a primeira pessoa do singular - eu, as palavras certas misturam-se à outras, e voltamos a etapa inicial, quando as letras pareciam fazer parte de um verdadeiro enigma, e quando conseguíssemos juntá-las para formar o que elas estavam destinadas a ser, ou seja, as palavras, haveríamos descoberto um verdadeiro tesouro que ninguém jamais poderia nos roubar.

Nenhum comentário: