25 de julho de 2015

Ao pássaro que mora em meu coração

Em um de seus mais célebres poemas, Bukowski atribui a um pássaro, o pássaro em seu peito que quer sair e não é autorizado a fazê-lo, a cor azul. Mas diferentemente de Bukowski, deixo o meu pássaro livre para sair quando assim ele desejar. Mesmo que nossas vontades, de sair e permanecer, nem sempre correspondam entre si.
Minha atitude pode não ser tão esperta quanto à do escritor. O pássaro pode sim me arruinar, ainda mais usufruindo de tamanha liberdade, mas prefiro confiar que ele não o fará. E quando chega o momento de meu pássaro, que não é azul, aconchegar-se novamente em seu lar, ele também se permite entristecer. E seu canto, outrora tão alegre, exprime o quão vivo encontra-se.
Sua cor? Arrisco dizer que possivelmente tons alaranjados. Talvez da mesma tonalidade que o sol ao amanhecer. Talvez o pássaro que em mim vive e comigo tem convivido seja originário do próprio sol. Isso explicaria porque minha alma se sente tão bem quando exposta ao sol. O pássaro que em meu corpo vive se sente novamente em casa. E eu não permitirei que ele deixe de cantar, por mais doloroso que isso às vezes seja.


Um comentário:

Rodrigo disse...

Muito bom o texto!!
Estou enferrujado pra escrever, mas mesmo assim vou arriscar improvisar.

Há um pássaro de sol em meu coração
que quer amanhecer de vez e assumir meu lugar,
mas sou infinitamente cordial com ele,
e digo, vamos venha ver o mundo,
não vou deixar ninguém mais te prender.
Há um pássaro de sol em meu coração
que quer amanhecer de vez e assumir meu lugar,
mas eu o cubro com flores e inalo poemas,
e os frios e amargos, e aproveitadores
nunca saberão que você é maior que todos eles
Há um pássaro de sol em meu coração
que quer amanhecer de vez e assumir meu lugar,
mas sou infinitamente cordial com ele,
e digo, se demonstre, cative!
Que queres me arruinar é tudo o que nos dirão,
queres arruinar-me?
Não creio.
Se acaso me arruinar será por me fazer amar demais.
(...) Há um pássaro de sol em meu coração
que quer amanhecer de vez e assumir meu lugar,
mas eu sou demasiada sentimental e carinhosa
deixo que saia sempre que quiser
principalmente quando todos me parecem não sentir
digo-lhe, eu sei que você vai voltar
por isso ele se acalma
mas mesmo assim as vezes se entristece,
depois,
nós nos recompomos
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei brilhar de todo
e nós amanhecemos juntos
assim
com o nosso
pacto de convívio
e é bom o suficiente
para fazer alguém sorrir,
e eu estou sorrindo,
e tu?

Beijosss!