7 de novembro de 2015

Ferida aberta e exposta (Esse texto não deveria estar aqui)

O que fazer quando não mais sabemos o que fazer?
Faz um bom tempo que tenho gradualmente me afastado mais de qualquer possível rumo que a vida pudesse adquirir. Algumas pessoas convivem bem com a rotina, onde tudo está pré-estabelecido, afastando a margem de erro; já outras, preferem e se adaptam mais facilmente a imprevisibilidade dos dias. Sempre mantive certo orgulho de fazer parte do primeiro grupo: nunca precisei que nada de surpreendente acontecesse para que eu visse beleza nos dias, em todos eles, até nos mais sombrios. Mas e agora que não parece haver mais nada realmente previsível, como viver nessa inconstância?
Reconheço o quão idiota e sem sentido tudo isso soa, todos afirmam e me relembram constantemente o quanto minha vida é boa, o quanto tenho sido burra por alimentar isso. Mas então, eu os imploro: o que eu faço?
Como disse certa vez Vinicius de Moraes... Acontece que eu sou triste. Não é por livre e espontânea vontade. Não sei em que momento me tornei assim, se é que houve algum, ou essa é uma característica que vem se formando ao longo de meus dezenove anos. Mas eu sou assim, e desde que me reconheço por gente, sempre fui. Simplesmente desenvolvi técnicas próprias que me permitiram lidar maduramente com isso. Mas minhas forças tem se mostrado abaladas.
Sempre fui a fortaleza que devia transmitir força para outros seres que a necessitassem e buscassem ajuda, quando a surgida de seu próprio interior não fosse suficientemente forte para a manter íntegra. Mas e como reabastecer uma fortaleza que se apresenta escassa de sua matéria-prima, a força? Todos parecem já estar esgotados por si mesmos, ninguém deve ser obrigado a arcar com tamanha responsabilidade física e moral.
Talvez seja apenas uma questão simples. Mas é na simplicidade que as coisas demonstram sua complexidade.

Esse texto não deveria estar aqui, mesmo. Mas ele está, e provavelmente continuará. Como uma ferida aberta e exposta, mas que com o tempo vai cicatrizar.

Nenhum comentário: