3 de dezembro de 2014

Divagações sobre uma ponte

No início não parece tão difícil: a superfície é mais estável do que você acreditava ser, então segue adiante, sem nem olhar para trás. Mas é nos primeiros passos que a ponte desestabiliza e começa a balançar. Lá embaixo, o rio, cheio de pedras e correnteza. Você não pode distrair-se, pode ser fatal. Não pode dar passos em falso, assim como não pode andar tão rápido, pois isso deixa a superfície ainda mais inconstante. Mas ao mesmo tempo, se for devagar demais, fará com que o percurso pareça ainda maior.
É preciso haver um equilíbrio, mesmo que a situação inspire o contrário. Não olhar para baixo, mas sempre em frente, onde tudo causa a falsa impressão de estar firme, em segurança.
Você chega exatamente ao meio do caminho, não encontra nenhuma pedra, como poderia supor Carlos Drummond de Andrade. Você pode seguir em frente, mas o medo insiste em permanecer. Então você continua com medo mesmo, até que a inconstância da ponte supere a da sua própria mente.

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