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29 de maio de 2010

Aquele amor


A música continuava tocando. Deixei que ela me levasse embora, me guiasse até onde eu deveria estar. A lua me olhava nos olhos, mais perto que de costume, aquele som que até então ecoava dentro de mim, agora começava a esvair-se entre o ar frio que batia contra o meu rosto, batia sem causar ferimentos, era inofensivo.
Não me fazia mal algum, naquele momento os meus mais sérios problemas haviam desaparecido com a música, agora o silêncio é que dominava a noite, meus pensamentos faziam com que meus passos andassem mais depressa. Eu não tinha mais como impedir, tudo que eu precisava era visualizar sua sombra em meio à escuridão que aos poucos ia se tornando ainda mais intensa, então de uma sombra você se tornaria real. Era o que eu queria, era o que eu precisava.

Cada momento tinha uma magia incrível, a magia sincera que não exige rótulos, que apenas existe.

21 de maio de 2010

Rascunhos, ou lixo. Como preferir


Porque você sempre parece assim tão indiferente a tudo? Será mesmo que pode pensar como todo mundo, ou até ainda mais? Ou será que simplesmente não está nem aí, como demonstra? Mas enquanto essa sua indiferença me domina, eu continuo imaginando o que eu gostaria de te ouvir dizer, e te fazer entender o quanto se tornou indispensável pra mim esse seu sorriso que eu ainda não compreendi, esses seus olhos quando fixam diretamente os meus. Mas me diga, agora, o que realmente quer dizer?
Ninguém pode entender o quanto cada palavra pode fazer diferença, até que ela seja dita. Só então as consequências aparecem, mas pra mim, as consequências nunca chegam, e agora, o que devo fazer, será que sou importante o suficiente pra você, a ponto de lembrar de mim numa sexta-feira à noite, mesmo a quilômetros de distância que nos separam, mesmo sem saber a minha opinião sobre eu ser a protagonista dos seus sonhos, e você dos meus?
Tudo parece tão hipócrita, mas até a algum tempo atrás parecia tão real, eu jurava que podia até adivinhar quando você estava me olhando, mesmo sem te ver, e isso nem exigia tanto esforço assim. E agora está se tornando cada vez mais comum.

Até o próximo sonho.

16 de maio de 2010

Fugir – Esquecer, Recomeçar. Viver


Eu sempre quis fugir. Pra qualquer lugar, longe dessa mesma vida cheia de rotinas em que tudo é extremamente monótono. Conhecer pessoas que você nunca achou que conheceria, lugares que nunca sonhou em morar, um ar que nunca pensou em respirar.
O motivo por eu não ter feito isso, acredito que seja o mesmo de muitas outras pessoas. Mas eu realmente queria ter a chance de fugir, pra um lugar onde eu não precisa-se me explicar pra ninguém, tivesse a minha independência, a minha liberdade, mas acima de tudo, tivesse quem eu quero ao meu lado, e quem eu não quero, bem longe.
Eu iria esquecer tudo de ruim que já passei, e todas as coisas das quais pra sempre me arrependerei, e ia começar uma nova vida, em que tudo seria perfeito.
Mais uma bobagem. E eu mais uma vez, insisto em achar que o problema está nas pessoas, nas diferenças, das semelhanças... Mas o principal problema, ele é exclusivamente meu. Insistir em estar sempre descontente, com tudo. Só poderia ser coisa de gente que ainda tem muito que aprender.

10 de maio de 2010

Simples, ou como quiser que seja


E eu novamente volto a postar aqui, por mais que eu insista em resistir. Justifico isso, como um vício, sim, este blog, que eu tantas vezes julguei ser inútil e desanimador, agora é parte de mim, e sinto como se quando deixo de frequentá-lo, estou de certa forma abandonando uma parte de mim, uma parte de grande importância, uma parte que agora eu necessito tanto quanto preciso de ar, e mais ainda do que imaginei que precisasse.
E engana-se quem acha que vícios são exclusivamente coisas ruins. Os piores, ou mais indomáveis vícios, são as melhores coisas, o suficiente para se tornarem tão rotineiros a ponto de viciarmos.
São vícios simples como palavras, mas importantes como frases. Insignificantes como a solidão, mas importantes como à companhia. Sinceros como o simples ato de abraçar, ou complicados como o significado de necessitarmos tanto de compreensão.
Quem não sabe enfrentar os defeitos, não é digno das qualidades. Se você for perfeito demais, se tornará excessivo. Se for previsível demais, será cansativo.
É pra sempre. Desprezível.

2 de maio de 2010

Onde está você agora?


Tantos são os motivos que tornam o mundo um lugar tão assustador. Ele faz com que tudo pareça mais difícil, às vezes afasta pessoas que queríamos ter pra sempre perto, ou aproxima pessoas que só nos fazem mal.
Mas hoje eu não vou pensar em você, nem em nós. Por hoje eu não quero ter de volta a lembrança do seu sorriso que eu nunca presenciei, nem das palavras que eu nunca te ouvi dizer, hoje eu quero estar só.
Acompanhada apenas da pessoa que sempre esteve me ajudando a seguir em frente, aquela que sente muita, mas muita raiva de mim algumas vezes, que se entristece pelas minhas atitudes impensadas, mas nem por isso me abandona, a única que eu confio e vou confiar pra sempre, a única que pode me julgar. Essa pessoa sou eu.

29 de abril de 2010

(In)compreensível


Diante desse silêncio, dentro de mim as palavras explodem. É isso que as torna tão inacessíveis, as frases ficam incompletas, as idéias tornam-se o que você achar que devem ser. Tudo continua igual, tudo continua como é.
A falsidade e a mentira ainda estão no comando, a simplicidade e a confiança estão cada vez mais raras, e o pouco que resta está se desfazendo em pedaços.
Mas quem sabe, dessas palavras sem conclusões, apareçam algumas verdades, talvez algumas decepções, e suas causas inexplicáveis.
Porque as inspirações ficaram guardadas, trancadas em um sonho esquecido e lembrado, a cada novo amanhecer. E mais um coração partido é despedaçado.

26 de abril de 2010

Sonhos verbalizados


Eu vivo a idealizar o que eu quero do futuro. De que maneira eu pretendo agir em cada situação, as pessoas que eu pretendo conhecer, dos sonhos que eu acho que nunca conseguirei esquecer.
Mas a cada dia, o futuro está mais ao nosso alcance, e será que um dia todas minhas expectativas serão mesmo realizadas? É isso que eu gostaria tanto de saber. Algumas vezes eu me questiono se vale mesmo a pena pensar tanto em um futuro a longo prazo.
Amanhã eu não vou mais pensar como hoje. Hoje, eu não estou agindo conforme julgo que vou agir amanhã. É tudo uma imensa incerteza que se deixarmos que nos leve, acabaremos por não continuar a sonhar. E então, o que fazer quando ficamos entre uma talvez-futura-realidade e a certeza da realidade de hoje? Eu escolhi a primeira opção. Mas cada momento insiste em estragar tudo, cada vez mais.
O futuro é hoje, e o presente... Já foi.

23 de abril de 2010

A noite insiste em voltar


Pelas ruas escuras deste lugar desconhecido eu tenho a impressão de que posso sem muito esforço, visualizar a cidade inteira, mas todos que vivem aqui, hoje não podem lembrar de mim, estão ocupados demais, eu sou a única que ainda está aqui acordada, vendo as horas passarem diante de mim, junto com a chuva que agora cai sem parar, ela cai sem saber o quanto alguém hoje espera por você.
Eu tenho vivido num mundo em que tudo é diariamente adaptado, estão fazendo das pessoas personagens manipuláveis por um simples elogio.
Faltam alegrias, faltam amizades, falta honestidade.

22 de abril de 2010

E amanhã terei que acordar novamente


A realidade me assusta. Mas amanhã vai ser mais um dia, mais um dos muitos em que sigo em frente, mais um dia sozinha sem ter ninguém com quem eu possa contar. Ninguém verdadeiro que possa realmente me ajudar.
A ilusão de que você irá aparecer já não existe mais. Eu aprendi a viver sem limitações, e mais que tudo, eu aprendi a viver sem a sua presença. E percebi que ela não me agrada, é apenas mais uma das coisas monótonas e frias, das quais a minha vida já está cheia.
Às vezes eu dou sustos a mim mesma. Vejo-me pensando em assuntos bobos, e eles são compostos por você, e pelas minhas lembranças mal apagadas que insistem em aparecer, mesmo quando eu as desejo esquecer.
Quero certezas, porque dúvidas não me levam de maneira alguma para conclusões, apenas para ainda mais ilusões perdidas, platônicas, fantasias fantasiadas, esquecidas, escritas; em mais um lugar sem razão, cujo nome costuma chamar coração.

18 de abril de 2010

Versos covardes, pensamentos soltos, vêm para brincar, de novo


Queria um dia, um único dia, poder gritar para quem quisesse ouvir o que eu penso dessas pessoas previsíveis, com opiniões inconstantes e irritantes que eu vejo à solta por aí. Como pode alguém permitir que essa gente circule livre pela sociedade? Não há perigo maior que esse, acredite.
Sorrisos e acenos frenéticos e repentinos para qualquer um que lhe dirija o olhar. Palavras inúteis ainda sob revisão de como ditas em uma frase. Pensamentos expostos e pronunciados sem conseqüências visíveis. Momentos desperdiçados por idiotices não justificáveis. Esperanças levadas para longe por palavras mal interpretadas. Pedaços de cérebros espalhados pelo chão, ninguém precisa deles quando se tem dinheiro e boas influências sociais.
E mais desabafos inúteis de alguém que cansou do provável e não questionável.

16 de abril de 2010

Porque você apareceu, e me levou a um sonho (...)


E mais uma vez eu me pergunto se você pensa em mim o tanto quanto eu penso em ti. Porque você apareceu, e me levou a um sonho, em que todos os dias eu imagino este sonho realizando-se. E sei que novamente volta à frase de que quando gostamos de alguém, imaginamos que ela seja perfeita, e nos recusamos a aceitar que como todo mundo, essa pessoa também tem defeitos, e a indignação volta para nos derrubar.
Mas essa vez não será assim, porque baby, quando estou com você sinto-me rodeada de paz, essa é a paz que eu quero pra mim, com você não tenho medo algum de ser eu mesma, assim como você tem sido, com seus defeitos e suas qualidades admiráveis, vem pra me mostrar que nem tudo está perdido, e que vale a pena continuar.
E meu bem, essas simples palavras são ditas da forma mais sincera que pode existir

15 de abril de 2010

Quando nos tornamos humanos


Ninguém consegue ser tão insensível a ponto de não lembrar o que é sensibilidade. Às vezes esconder os sentimentos não é uma boa idéia, e eu aprendi isso da maneira mais difícil, como sempre. Mesmo tentando com todas as forças esconder isso, uma hora cansamos de ouvir outras pessoas reclamarem de suas vidas, quando na verdade o que queríamos era esquecer da nossa. As coisas sempre parecem piores quando vistas por nossos próprios olhos. Talvez a explicação para isso seja que só quando sentimos de verdade podemos perceber o quanto é complicado. Tudo se torna tão mais fácil quando aprendemos a sofrer menos pelo que acontece... Eu finalmente percebi isso, e mudei, e pela primeira vez eu percebo claramente que quem mudou fui eu, e não os outros.
Me sinto como se agora estivesse aproveitando de verdade cada momento bom que surge diante de mim, acho que é isso que chamam de vida, e só agora eu estou vivendo, antes era tudo uma mentira, uma brincadeira cujo eu não percebia e continuava a brincar.
E que alegria quando percebemos que a vida realmente é uma brincadeira, mas uma brincadeira feita para encararmos como algo sério, que no futuro acharemos graça e veremos o quanto fomos felizes, e poderíamos ter sido ainda mais se tivéssemos vivido!

14 de abril de 2010

Afastem-se pesadelos


O lado mais escuro da noite costuma sempre esconder o que desejo não ver. Coisas inesquecíveis, porém, dispensáveis.
Pesadelos brincam com minha mente, aproveitam-se de minha fragilidade, de não poder defender-me daquela situação que mesmo adormecida, insiste em me assombrar.
Mas o pior é quando parece que até mesmo os pesadelos são melhores que a realidade.

12 de abril de 2010

Meu coração nunca poderá ser o seu lar


De agora em diante decidi que só sofrerei por coisas importantes. E quando sofrer não interessará o motivo. Coisas medíocres não terão mais chance na minha vida. Aproveitarei cada dia como se fosse o último. Ficarei feliz por quaisquer motivos, mesmo que sejam bobos para os outros. Não me importarei com futilidades. Pessoas idiotas serão ignoradas sem prévio aviso. Pessoas inteligentes serão ainda mais admiradas. Falarei sem antes contar até cem. Vou criticar quando me der vontade. Não serei simpática pra ninguém que eu não queira. Vou chorar quando der vontade. Vou rir quando achar graça. Vou ser chata quando eu quiser. Serei legal se fizerem por merecer. Vou gritar quando eu achar necessário. Olharei para o futuro sem me preocupar em como será. Esquecerei o passado a cada novo dia. Me preocuparei com o hoje, o agora, nesse exato momento. Quem me odeia vai me odiar ainda mais. Quem gosta de mim vai ter um verdadeiro motivo pra que esse sentimento se renove sempre. Pessoas verdadeiras e sinceras serão mais valorizadas. Serei mais eu a todo o momento, a cada sorriso, a cada lágrima, a cada palavra.
Meu coração está abandonando a rotina de sofrer por você.

Título: Oasis - Stand By Me (tradução)

9 de abril de 2010

Recordações


Agendas - fotos - textos - poemas - pessoas - amigas - paixões - amores - amanhã - hoje - um segundo - um dia - sonhos - decepções - crises de riso - crises de choro - uma derrota - uma vitória - o preto - o branco - verdade - mentira - um momento - eternidade - fim, o começo.

Porque eu pareço ser a única diferente nesse mundo de gente superficial? Talvez não seja eu, sejam apenas os outros. Obedecer ao que te tornará mais popular, mais notada, mais olhada. Pra que tudo isso? Quem realmente for digno de meu respeito, não se importará com essas coisas sem capacidade mental alguma. A pessoa que eu espero um dia conhecer, será alguém que eu imagino mesmo sendo inimaginável. Talvez eu demore mais tempo para conhecê-la do que eu aguento esperar, ou nunca chegue a conhecer. Isso nunca vai me fazer desistir. Porque só de continuar acreditando que ela em algum lugar do mundo, mesmo distante existe, será o suficiente.
E é apenas mais uma ilusão boba jogada em algum lugar, cujo alguém vai juntar, ler e quem sabe guardar, ou jogará fora sem nem vestígios deixar.

7 de abril de 2010

As cores lá fora


Hoje a manhã estava especialmente linda, apesar das nuvens escuras que insistiam em permanecer no céu, o sol estava surgindo para afastar qualquer pensamento ruim. Ele parecia colocado no lugar exato para que pudesse iluminar com a sua luz ofuscante, o planeta inteiro, mas não; naquele momento o sol estaria onde eu estivesse, nada poderia fazer com que ele desistisse de brilhar, nem mesmo as imensas nuvens que aos poucos estavam indo para algum outro lugar.
Talvez indo para um lugar levar escuridão a quem precisasse de sol, ou indo para algum lugar esconder-se, percebendo que toda sua tentativa de fazer com que o sol deixasse de brilhar seria inútil. Ninguém desejava tê-las. Já o sol... Ele é o recomeço de que tanto necessitamos.

6 de abril de 2010

Contos de fadas?


Quando éramos crianças, fizeram a gente acreditar, por meio das histórias infantis, que o mundo seria perfeito, começaria com "Era uma vez" e acabaria com o príncipe encantado salvando a princesa, e os dois viveriam felizes para sempre em seu castelo mágico. Em que tudo seria maravilhoso: lindos bosques para relembrar o quanto a natureza é bela, um céu que pareceria construído da forma exata para agradar, e leves correntes de ar, que serviriam apenas para espalhar qualquer clima pesado que passasse sobre ali.
Depois, quando começamos perceber que a vida não se parece nada com aquelas histórias, acabamos por nos decepcionar. E que decepção! Foram sonhos diariamente sonhados e relembrados que se acabariam num piscar de olhos, para que só restassem as lembranças, tristes lembranças de quando se vivia cada dia e se era feliz apenas de pensar em como seria o dia seguinte. Mas acabou.
Como poderíamos imaginar que muitas vezes aquelas histórias acabariam por parecer um verdadeiro conto de horror, em que nossas vidas tornam-se ainda mais imperfeitas ao serem comparadas com a ficção.
Essas histórias são criadas com a intenção, para que ao menos numa época da vida, e por sinal a mais importante - a infância -, se possa ser realmente feliz, e acreditar que o mundo todo é perfeito e que nunca nada vai acabar com um final diferente da contada nos livros. Infelizmente é só ilusão. Infelizmente temos que crescer.

4 de abril de 2010

Que trazes pra mim?


Quando é que vamos entender que não vivemos de ovos de chocolate?
Porque se no fim do mês não tiverem mais dinheiro pra comprar comida, todos irão se contentar em reunir-se em volta da mesa no almoço, comer as sobras de ovos de chocolate da Páscoa (se sobrar, é claro), e relembrar como foi bom o domingo de Páscoa em que parecia que a comida nunca acabaria.

Viva a sobrevivência de mais um feriado capitalista e a estupidez humana !

3 de abril de 2010

Queridos amigos imaginários


Eu sabia que esse dia ia chegar, mas não imaginava que fosse tão depressa, nem mesmo tomamos uma xícara de chá como costumávamos fazer todas as tardes. Vocês nem me contaram como havia sido o dia, e eu também não falei nada sobre o meu. Queria tanto poder lhes contar sobre as minhas novas paixões e o quanto tenho me aventurado diariamente. Sei que vocês diriam como ficam felizes por mim. Se eu falasse uma besteira qualquer, vocês me corrigiriam e até dariam conselhos sobre a melhor coisa a fazer.
Mesmo que estivessem tristes, compartilhariam todas suas angústias comigo e eu diria mais uma vez, que eu sempre estarei aqui para o que for preciso. Vocês agradeceriam com o mesmo sorriso sincero de sempre.
E saber que eu me preocupava tanto em guardar o melhor lugar ao meu lado pra que vocês sentassem, e ali ficávamos horas conversando sobre qualquer assunto que fosse do nosso agrado. Pois agora, esses lugares ficaram vazios.
Queridos amigos imaginários, porque vocês não podem ser reais?

Texto escrito por Juliana Gazola na madrugada do dia 2 de abril.